II SEMPRE
Justificativa

Nas últimas décadas, tanto em âmbito internacional, mas principalmente nacional, houve um aumento significativo das discussões acerca da importância da preservação do patrimônio cultural enquanto elemento norteador fundamental para a formação de cidadãos que consigam aliar o mundo globalizado de hoje com questões intrínsecas à sua cultura local, regional ou nacional. No Brasil, principalmente na última década, tais discussões saem do âmbito acadêmico e/ou dos órgãos públicos, sendo levadas à comunidade através de fóruns, seminários e trabalhos de educação patrimonial.

Por outro lado, notamos que, ao mesmo tempo que novas temáticas e abordagens são implementadas, como no que concerne ao patrimônio imaterial e à paisagem cultural, reformulando e dinamizando as políticas e gestões referentes à preservação do patrimônio cultural, as velhas práticas já consolidadas há quase meio século, como no que se refere às intervenções nas edificações e sítios urbanos protegidos, apresentam um desenvolvimento mais tímido, como que apontando para uma cristalização das teorias e metodologias que fundamentam as suas ações e projetos. Se, no que diz respeito às novas abordagens, principalmente na preservação do patrimônio imaterial e na educação patrimonial, o Brasil apresenta-se como co-participe sempre atualizado e, mesmo, contribuindo decisivamente nas posturas internacionais a serem adotadas, o mesmo, infelizmente, não se pode dizer acerca das citadas intervenções nos bens culturais imóveis, onde a teoria e a metodologia propostas em meados do século XX continuam sendo utilizadas sem levar-se em conta todo o arcabouço teórico e crítico desenvolvido nos países europeus desde as últimas décadas daquele mesmo século. O seminário proposto visa, portanto, auxiliar a suprir esta lacuna, promovendo um intercâmbio necessário para a revitalização destes projetos e ações, integrando efetivamente tais intervenções no profícuo debate contemporâneo acerca da preservação do patrimônio cultural.